Arquivo de Distúrbios Iatrogênicos

Desnutrição nos idosos – Quais os fatores que causam?

Categoria(s): Cuidados alimentares, Distúrbios digestivos, Distúrbios Iatrogênicos


Etiologia

A desnutrição no idoso é causa e conseqüência de inúmeros fatores, que funcionam como um círculo vicioso. Exemplo, a perda de dentes leva a desnutrição e, a desnutrição causa mais cáries e mais perda de dentes. A nutrição depende de fatores sócio-econômico culturais, fisiopatológicos, psicológicos e cognitivos. O idoso necessita adaptar seu hábito alimentar a sua nova condição imposta pela idade, ou seja, ele deve se alimentar, não de mesma forma que o fazia quando moço, porém, modificando o seu cardápio para alimentos funcionais, que contenham substâncias com propriedades nutritivas e mesmo terapêuticas e, pouco para alimentos hipercalóricos (chocolates, bolos, refrigerantes, etc).

Fatores sócio-econômicas e culturais – Entende-se como fatores sócio-econômicas e culturais, a aposentadoria com o declínio da sociabilização, gerando o isolamento que prejudica o acesso a obtenção de alimentos e, a nova composição familiar (familias menores, e muitas vezes com filhos desempregados) onde o idoso é o provedor financeiro que vê os seus parcos rendimentos sendo usados para manter despesas diversas da família, em prejuízo da aquisição de alimentos e até medicamentos necessários para a sua saúde.

Fatores fisiopatológicas – A desnutrição pode ser decorrente de fatores fisiopatológicas causados pela idade ou por doenças devem ser rapidamente reconhecidos e tratados revertendo o quadro de desnutrição do idoso. Fazem parte desse descontrole as alterações gastrointestinais; como a gastrite atrófica, a hipocloridria (diminuição do ácido clorídrico) e diminuição do fator intrínseco, que pode ocorrer em 20% dos casos, resultando em má absorção de cálcio, vitamina B12 e ferro; a fibrose e atrofia das glândulas salivares, a perda de dentes, atrofia de papilas gustatórias, a diminuição da sensibilidade de receptores associados ao controle da sede e conseqüentemente, menor ingestão de água (hipodipsia) que leva á desidratação.

Fatores iatrogênicos – Um classe especial de fatores fisiopatológicos é a provocada pela iatrogenia, onde diversos fármacos interferem negativamente na nutrição das pessoas, em especial dos idosos. O uso de múltiplos medicamentos podem influenciar a ingestão, a digestão, a absorção, o metabolismo e a excreção de nutrientes. Inúmeros são os exemplos das interferências medicamentos na nutrição, como, os antiácidos diminuindo a absorção de ferro, cálcio e vitamina B 12, as resinas ligadoras de colesterol ou óleo mineral podem induzir a má absorção de vitamina A, D, E e K.

Fatores psicológicos – Os fatores psicológicos aparecem de forma insidiosa até atingir proporções, cuja único tratamento é mediante internações e alimentação enteral. A perda do conjuge pode causar a anorexia relacionada com a depressão. O alcoolismo associado ao isolamento, leva a desnutrição inaparente, onde desta as deficiências de tiamina, folato e magnésio. Alguns autores, chamam a este estado metabólico de desnutrição oculta.

Fatores cognitivos – Os fatores cognitivos, são representados pela deterioração da função cognitiva, como acontece no mal de Alzheimer e doença de Parkinson, resultando em inabilidade para obtenção do alimento, esquecimento ou incapacidade de se alimentar.

A má nutrição no idoso causa repercussões em muitos orgãos e sistemas do corpo humano, levando a um declínio da capacidade funcional, causado pela atrofia muscular (sarcopenia) e disfunção em orgãos vitais como os pulmões, coração e rins. A baixa taxa de metabolísmo, diminui a produção de proteínas especialmente albumina, globulinas, enzimas, neurotransmissores, hormônios. Com isso, pode ocorrer insuficiência cardíaca (Beri-beri cardíaco), diabetes, deficiência imunológica e hematológica, expondo o idoso a infecções graves e até fatais.


Referência:

Marchini JS, Ferriolli E, Moriguti JC – Suporte nutricional ao paciente idoso: Definição, Diagnóstico, Avaliação e Intervenção. Medicina, Ribeirão Preto, 31:54-61 Jan-Mar 1998.

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Tromboflebite – O que é?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios, Distúrbios hematológicos, Distúrbios Iatrogênicos


Dicionário

Tromboflebite

A tromboflebite é caracterizada por um quadro de dor e hiperemia localizada, na trajetória da veia acometida por irritação contínua do endotélio seguida de uma colonização bacteriana. A lesão apresenta-se hiperemiada, edemaciada e com a presença de um cordão palpável (foto). A veia geralmente evolui para um cordão endurecido e indolor, que com o passar do tempo desaparece totalmente. Esta evolução não dura mais que um mês, e dificilmente evolui para embolia pulmonar.

A causa mais comum é a iatrogênica, provocada pelas agressões químicas (medicamentos intravenosos em soluções concentradas) e mecânicas (punções venosas e cateterizações). As tromboflebites são bastante comuns nos pacientes que ficam muito tempo internado, em uso de soluções (soros) intravenosas e antibióticos. Geralmente, as flebites ocorrem nos membros superiores, por ser este os locais de maior manipulação. Para prevenir a ocorrência de tromboflebite a enfermagem deve procurar fazer rodízio de aplicação do soro, usar uma veia no máximo por 3 dias, deixando a veia em “repouso”.

Pode ocorrer tromboflebite por condições que levam a alterações secundárias da coagulação, como neoplasia, gravidez, uso de cotraceptivos, sepcemias, varizes e imobilização pós-operatória. Menos comum são as de origem endoteliais como doenças de Behçet, Mondor e Buerger. Hematológicos como deficiência de antitrombina III, co-fator II da heparina, proteinas C e S, fator XII, defeitos no sistema fibrinolítico, alterações do plasminogênio, desfibrinogenemia, anticoagulante lúpico e sindrome do anticorpo anticardiolipina.

Referências:

Lastória, S. Tromboflebite superficial. In: Maffei FHA, Lastória S, Yoshida WB, Rollo HA. Doenças vasculares periféricas. 2a edição. Rio de janeiro: MEDSI; 1995. p. 831-840.

Pitta GBB. Urgências vasculares. In: Batista Neto J. Cirurgia de urgência: condutas. Rio de Janeiro:Revinter; 1999. p. 513-519.

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Tromboflebite – Como diagnosticar?

Categoria(s): Distúrbios cardiocirculatórios, Distúrbios hematológicos, Distúrbios Iatrogênicos, Distúrbios Inflamatórios, Infectologia


O exame clínico é o principal elemento diagnóstico das tromboflebites superficiais.
Pode-se lançar mão de recursos por imagem como o ultrasson com doppler, principalmente nas tromboflebites extensas de membro inferior que podem evoluir com uma trombose venosa profunda.

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